Londres sofre “recessão” no mercado imobiliário de escritórios

O mercado imobiliário de escritórios em Londres, no Reino Unido, entrou em uma “recessão de aluguel”, com a porcentagem de espaços vazios atingindo o nível mais alto em três décadas, informou o banco de investimento Jefferies em nota na quarta-feira (27). A empresa, sediada em Nova York, destacou que os espaços vazios na cidade de Londres, o histórico distrito financeiro da capital, representavam 10% do total de escritórios, enquanto no West End, no centro de Londres, essa porcentagem era de 7%. Ambos os índices são os mais altos em 30 anos.

Em Canary Wharf, uma área financeira mais recente, os escritórios vagos agora ultrapassam 20%. A última vez que os escritórios em Londres estiveram tão vazios foi em 1993, durante uma recessão no Reino Unido que afetou o mercado imobiliário, conforme explicou Michael Prew, analista imobiliário da Jefferies, à CNN. Atualmente, grandes áreas dos outrora movimentados centros comerciais da capital estão acumulando poeira devido à persistência do trabalho remoto, mais de três anos após a pandemia.

A Jefferies estima que a utilização dos escritórios na cidade caiu 20% desde o final de 2019, com o aumento do trabalho remoto e híbrido. O banco de investimento afirmou que as vagas de escritórios atingiram um “ponto de inflexão” onde os aluguéis normalmente começam a cair, levando à reavaliação das ações de quatro grandes promotores imobiliários, incluindo a British Land e a Derwent London.

“O varejo foi a primeira vítima da tecnologia, e acreditamos que os escritórios serão os próximos”, escreveram analistas da Jefferies. “A utilização diminuiu e os proprietários estão perdendo poder de precificação à medida que os inquilinos se desfazem do espaço excedente”, acrescentaram. Uma empresa de tecnologia que está abrindo mão de espaço é a Meta (dona do Facebook).

Na segunda-feira, a British Land anunciou que a Meta concordou em pagar 149 milhões de libras (US$ 181 milhões) para rescindir o contrato de aluguel de um escritório de 310.000 pés quadrados perto do Regent’s Park, em Londres. A Meta continuará alugando outro prédio próximo, segundo comunicado da desenvolvedora. Espera-se que essa medida reduza o lucro por ação da British Land em cerca de 0,6 pence (0,73 centavos) nos seis meses até março.

A redução do tamanho da Meta ocorre três meses após o HSBC anunciar planos de deixar sua sede global em Canary Wharf e mudar-se para um prédio menor, mais próximo do centro da cidade de Londres. Canary Wharf, nas antigas docas do leste de Londres, enfrenta uma pressão especial sobre os aluguéis. Mais banqueiros estão deixando a área à medida que o UBS começa a realocar funcionários do Credit Suisse para seu principal escritório em Londres. O Credit Suisse, adquirido pelo UBS em uma compra de resgate este ano, foi um dos inquilinos originais de Canary Wharf. A Clifford Chance também deverá deixar a área até 2028, mudando-se para um local menor na cidade.

Os reguladores estão monitorando de perto o mercado imobiliário comercial em busca de sinais de que o aumento das taxas de vacância e a queda dos aluguéis possam desencadear uma nova crise financeira. Bancos que concederam empréstimos a promotores podem ser duramente afetados pela queda dos valores imobiliários, alertaram investidores e reguladores nos últimos meses. “A liquidez do mercado de investimento está diminuindo devido à incerteza dos aluguéis, reduzindo os lucros dos desenvolvedores”, escreveram analistas da Jefferies.

A recessão no mercado imobiliário de escritórios contrasta fortemente com o mercado imobiliário residencial de Londres, onde a demanda é alta e a oferta cronicamente baixa. Em agosto, o aumento anual médio no custo de um imóvel ultrapassou 17%, repetindo o ganho de abril. Esses foram os maiores saltos desde que a agência imobiliária Hamptons começou a coletar dados em 2014.